A intervenção nos processos de luto não se esgota no adulto. Desenvolver um processo terapêutico com crianças e adolescentes em luto implica uma diversidade de competências e áreas de conhecimento, atendendo às suas especificidades e desafios.
O luto não é igual ao do adulto, os desafios de integração da perda misturam-se com todos os outros desafios que aquela criança/jovem já traz, com as suas necessidades e contextos (escola, comunidade, pares, família…). E, mais ainda, os desafios deste luto não se separam das dificuldades e recursos que os adultos cuidadores também apresentam.
Importa sempre lembrar que as crianças e jovens não estão a preparar-se para a vida. Os mais novos não estão a aprender algo que “um dia” vão precisar, não estão a viver algo “para um dia saber gerir”, não estão a falar sobre algo “para um dia saber o que dizer”. Estão, sim, e já a viver e explorar a vida e as relações, com tudo o que há a descobrir: os medos, as alegrias, as injustiças, as imperfeições dos cuidadores e as incertezas do mundo que se descobre não ter resposta para tudo.
No trabalho com crianças e adolescentes, a intervenção é plural, criativa, sintonizada com a sua fase de desenvolvimento e igualmente carregada de intenção terapêutica. A criança e o jovem que pergunta sobre a vida e sobre a morte, que reclama por ordem e verdade – no meio da dor – é aquela que abre uma janela imensa para oportunidades de relação, de verdade e de regulação.
O adulto não pode demitir-se desse papel de ouvinte e entrevistado! O adulto tem de espelhar, devolver, amparar e caminhar em conjunto com os “não seis” e todas as outras ideias mais ou menos arrumadinhas. Caminhar embrulhando em tristeza, saudade, raiva ou medo e amor. Mas caminhar. O adulto seguro é o adulto sintonizado, atento e regulado.
O núcleo de intervenção com crianças e adolescentes da InLuto, foca-se em:
Apoiar os cuidadores (apoiar na comunicação, dotar de ferramentas de regulação emocional, etc.)
Intervir nos contextos: escola, casa, instituição…
Intervir psicoterapeuticamente, seja na modalidade individual ou em grupo (mediante necessidades identificadas)
Implementar projetos de psicoeducação e prevenção de luto complicado, em contexto comunitário e escolar
Formar profissionais da saúde e da educação, sobre luto na infância e adolescência
Criar e adaptar materiais psicoeducativos e terapêuticos para esta população
Tudo isto, considerando um único puzzle: o que já existia de forças e preocupações antes da perda e o que precisamos, agora, atualizar e promover da forma mais completa possível.